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26/06/2014

O totalitarismo ultrachauvinista da Coreia do Norte

Por Bertone Sousa

A Coreia do Norte permanece o último bastião do totalitarismo stalinista no mundo. O regime marcado por veemente lavagem cerebral de seus cidadãos e completa inexistência de liberdades individuais, contém todos os ingredientes de subjugação das massas que o nazi-fascismo, o stalinismo e o maoismo trouxeram ao mundo: militarização, culto à personalidade, campos de trabalhos forçados para pessoas consideradas opositoras ao regime, controle estatal da vida privada, ausência de liberdade religiosa e ocultação da miséria social pela propaganda triunfalista do Estado.

Desde 1910, a Coreia havia sido uma colônia japonesa. O "comunismo" no país iniciou ainda em 1945, após a expulsão dos japoneses e ocupação soviética. Nessa região norte da península, o "comunismo" se mesclou a elementos nacionalistas engendrando uma mistura perigosíssima de ideologias totalitárias de esquerda e direita. Kim-Il-Sung, primeiro ditador do país, se destacou na guerrilha contra os japoneses e ascendeu à liderança com o apoio de Stálin. O novo Estado ganhou autonomia em 1948 após as forças soviéticas deixarem o país. Dois anos depois, Kim convenceu seu mentor Stálin a apoiá-lo num ataque ao Sul. A guerra foi interrompida três anos depois (já que oficialmente nunca foi assinado um armistício).

Desde o fim da União Soviética no início dos anos 1990, o isolamento político e econômico cada vez maior da Coreia do Norte tem levado o país a manifestações periódicas de ódio aos Estados Unidos e ameaças de ataques nucleares. Em nenhum outro país "comunista" o culto à personalidade de um ditador foi tão duradouro e chegou a extremos tão beligerantes como na Coreia do Norte. Embora não se encontre nas obras de Marx qualquer menção à glorificação de líderes, em todos os lugares onde o "comunismo" se impôs, quer por revolução, quer por invasão, esse expediente não apenas foi instituído como ainda se tornou a causa maior de perseguições, genocídios e extermínios.

Embora o regime norte-coreano inculque em seus cidadãos o ódio aos Estados Unidos, é contra esses mesmos cidadãos que o regime volta sua face mais violenta. No país onde pessoas são condenadas e executadas por possuírem bíblias (confira aqui e aqui), seguir uma religião não autorizada pelo Estado totalitário pode ser um passo decisivo na abreviação da própria vida. Embora o país professe o ateísmo, na prática há uma religião estatal fortemente arraigada em torno da veneração a Kim-Il-Sung.

O documentário a seguir foi produzido neste ano pela BBC e é um importante registro acerca das idiossincrasias do regime norte-coreano. O documentário mostra a Coreia como um Estado ultra-nacionalista ao estilo do Reich nazista; menciona inclusive a admiração que Kim-Jong-Il tinha por Hitler. Longe de basear-se em ideias de Marx, cujos livros são pouquíssimos conhecidos no país, o regime norte-coreano se manifesta como um autocracia militarista muito semelhante ao fascismo. Sem permissão dos guias, a equipe também registra a miséria social que o Estado esconde a sete chaves. O repórter também entrevista alguns refugiados na Coreia do Sul. Uma mulher afirma que a lavagem cerebral começa no útero e as pessoas acostumam a se curvar diante da estátua de Kim-Il-Sung todas as manhãs. Numa visita à biblioteca na capital, o repórter pergunta pelo livro 1984, de George Orwell que, como já era de se esperar, não existe no país. Para quem conhece a novela de Orwell, uma distopia que retrata a monstruosidade que se tornou o Estado soviético sob Stálin, encontrará notáveis semelhanças também aqui.

Cristiano Alves: o inimigo do povo

Recentemente neste blog, eu escrevi um artigo no qual descreve a relação entre Cristiano Alves, autor de A Página Vermelha com Olavo de Carvalho, "filósofo" e editor do site Mídia Sem Máscara. Apesar deles terem ideologias antagônicas, ambos remam para o mesmo caminho: o da ignorância e do extremismo. Se para um tudo que o critique é comunista para o outro tudo que contrarie seus pensamentos é anticomunista e fascista.

Cristiano Alves insiste em acreditar na propaganda soviética de que León Trotsky colaborou com os nazistas. Essa afirmação passaria em branco se não houvesse um erro crucial. Se o Partido Nazista tinha na sua norma um antissemitismo inigualável, posto que todos os judeus seriam enviados para campos de contração, por qual motivo Adolf Hitler iria colaborar com um judeu, dado que Trotsky era um. Basta ver que o nome verdadeiro dele era Lev Davidovich Bronstein. [1][2][3]


Segundo Cristiano, as tropas de León Trotsky perfuraram o ânus do capitão Rosinsky na Guerra Russo-Polonesa de 1921. Ora, os soldados do Exército Vermelho de Stálin também penetraram o ânus de centenas de milhares de mulheres alemãs. [4]

Outra afirmação absurda é que o holodomor, ou também conhecimento como holocausto ucraniano, não pode ser equiparado a um, uma vez que a ONU só reconhece o holocausto judaico e armeno. O Khmer Vermelho de Pol Pot, também dizimou mais de 2 milhões de pessoas, e a ONU não considera isso como um holocausto. Isso vai invalidar algo? Não importa a classificação, tanto Pol Pot quanto Stalin tinham o objetivo de exterminá-los.[5]

Se fosse o Tribunal de Nuremberg fosse realmente sério, ele iria julgar outros responsáveis por atrocidades como Harry Truman, Winston Churchill, Iosif Stálin, Laventiy Beria, Ion Antonescu e tantos outros que autorizaram massacres e genocídios.

Até 1955, antes do discurso de Khruschev, era compreensível um ser defender Stalin e sua cúpula. Hoje, isso torna-se impraticável, visto as atrocidades cometidas por esse sujeito. 

Stálin mais manchou a ideologia marxista do que contribuiu. Graças ao queridíssimo, o "comunismo" é sinônimo de totalitarismo.

[1] http://www.jewornotjew.com/profile.jsp?ID=23
[2] http://www.jewwatch.com/jew-leaders-trotsky.htm
[3] http://www.ushmm.org/wlc/en/article.php?ModuleId=10005681
[4] http://rense.com/general19/redarmy.htm
[5] https://www.hmh.org/ed_Genocide_Cambodia.shtml