Marxismo
03/07/2014
Coreia do Norte: a miragem "injustiçada"
A Coreia do Norte permanece o último bastião do totalitarismo stalinista no mundo. O regime marcado por veemente lavagem cerebral de seus cidadãos e completa inexistência de liberdades individuais, contém todos os ingredientes de subjugação das massas que o nazi-fascismo, o stalinismo e o maoismo trouxeram ao mundo: militarização, culto à personalidade, campos de trabalhos forçados para pessoas consideradas opositoras ao regime, controle estatal da vida privada, ausência de liberdade religiosa e ocultação da miséria social pela propaganda triunfalista do Estado.
Não são poucos os pseudo-marxistas que apoiam a Coreia do Norte no Ocidente. Muitos dos seus devotos costumam afirmar que o sistema político norte-coreano é algo exemplar para o mundo; uma república democrática, que merece ser compreendida. Iludidos, essas pessoas não perceberam que na terra da dinastia Kim, não teriam a liberdade e manifestação de opinião, como a que existe em um país democrático.
Analisando as leis norte-coreanas, percebemos que na teoria há uma concordância em não violar certos direitos inalienáveis da população. Verificando o artigo 31 da Constituição da República da Coreia Popular, constatamos que "o Estado deve proibir o trabalho infantil sob a idade mínima estipulada"[1]. Nesse mesmo artigo, diz que os norte-coreanos poderão trabalhar a partir dos 16 anos. Parece ser até verdade, isso, mas segundo um levantamento da Human Rights Watch[2], o governo pratica punição coletiva aos supostos infratores contra o Estado. Efetivamente, o que foi dito anteriormente, tem como sua consequência, o trabalho escravo de milhares de cidadãos, incluindo crianças, em campos de prisioneiros, ou também conhecido como gulag norte-coreano, aonde são obrigados a enfrentar condições deploráveis e trabalho forçado.
No artigo 15 está escrito que "a Coreia do Norte deve defender os direitos democráticos nacionais, de norte-coreanos no exterior e de seus direitos reconhecidos pela lei internacional"[3]. Embora muitos propagandistas do regime queiram passar essa imagem romântica, outros países também totalitários se diziam democráticos, como é o caso do Kampuchea Democrático de Pol Pot[4]. Por qual razão não observamos cidadãos, comuns, norte-coreanos viajando para diversas partes do mundo? Isso estaria violando o artigo 75, o qual afirma que "todos os cidadãos poderão residir e viajar para fora do país"[5]. Existem dois tipos de norte-coreanos em países internacionais: o primeiro são os refugiados e fugitivos, e o segundo são os diplomatas.
Já no artigo 66 diz que "todos os cidadãos que tenham atingido 17 anos têm o direito de eleger e de ser eleito, independente de sexo, raça, tempo de residência, ocupação, condição de propriedade, educação, filiação partidária, opiniões políticas ou religião"[6]. A única reflexão política existente na Coreia do Norte é a filosofia Juche, fora dela não vemos ideias puramente marxistas, liberais ou conservadoras. Um documentário da BBC[7] mostra que a principal biblioteca norte-coreana só possui um livro escrito em inglês. Alguns centros de solidariedade com a Coreia Popular, publicaram matérias salientando que os norte-coreanos possuem domínio na língua inglesa e na literatura internacional.
O artigo mais polêmico é o 68. Nele está redigido que "os cidadãos têm liberdades para seguir quaisquer crença ou religião. Este direito é concedido ao ser aprovada a construção de edifícios religiosos e a realização de cerimônias religiosas"[8]. É interessante notar que não existem atividades proselitistas no país. A ditadura norte-coreana é acusada de ser o país que mais persegue cristãos. Ainda sim existem pessoas que afirmam que existem igrejas, atuando de forme livre, no país.[9] Vamos fazer um exercício mental: se para haver realização de cultos e construção de templos, são necessárias aprovações do Estado, então essas igrejas existentes são subordinadas pelo regime e não de forma independente. Ou seja, os cristãos perseguidos são os que não obedecem o estado totalitário.
A Coreia do Norte é mais uma farsa do ramo marxista. Karl Marx e Engels nunca defenderam totalitarismo, militarismo ou gulags. Dizer isso é faltar com a verdade. Esse país é apenas Capitalista de Estado[10]. Conceder interdependência ou afagos com essa ditadura, tende ter coragem ou mau-caratismo.
REFERÊNCIAS:
[1] http://www1.korea-np.co.jp/pk/061st_issue/98091708.htm#Chapter 1:Politics
[2] http://www.hrw.org/world-report/2014/country-chapters/north-korea
[3] http://www1.korea-np.co.jp/pk/061st_issue/98091708.htm#Chapter 1:Politics
[4] http://pt.wikipedia.org/wiki/Kampuchea_Democr%C3%A1tico
[5] http://www1.korea-np.co.jp/pk/061st_issue/98091708.htm#Chapter 1:Politics
[6] http://www1.korea-np.co.jp/pk/061st_issue/98091708.htm#Chapter 1:Politics
[7] https://www.youtube.com/watch?v=q6mC7K-cy0w
[8] http://www1.korea-np.co.jp/pk/061st_issue/98091708.htm#Chapter 1:Politics
[9] https://www.flickr.com/photos/mytripsmypics/8590993753/
[10] http://en.wikipedia.org/wiki/State_capitalism
26/06/2014
O totalitarismo ultrachauvinista da Coreia do Norte
Por Bertone Sousa
A Coreia do Norte permanece o último bastião do totalitarismo stalinista no mundo. O regime marcado por veemente lavagem cerebral de seus cidadãos e completa inexistência de liberdades individuais, contém todos os ingredientes de subjugação das massas que o nazi-fascismo, o stalinismo e o maoismo trouxeram ao mundo: militarização, culto à personalidade, campos de trabalhos forçados para pessoas consideradas opositoras ao regime, controle estatal da vida privada, ausência de liberdade religiosa e ocultação da miséria social pela propaganda triunfalista do Estado.
Desde 1910, a Coreia havia sido uma colônia japonesa. O "comunismo" no país iniciou ainda em 1945, após a expulsão dos japoneses e ocupação soviética. Nessa região norte da península, o "comunismo" se mesclou a elementos nacionalistas engendrando uma mistura perigosíssima de ideologias totalitárias de esquerda e direita. Kim-Il-Sung, primeiro ditador do país, se destacou na guerrilha contra os japoneses e ascendeu à liderança com o apoio de Stálin. O novo Estado ganhou autonomia em 1948 após as forças soviéticas deixarem o país. Dois anos depois, Kim convenceu seu mentor Stálin a apoiá-lo num ataque ao Sul. A guerra foi interrompida três anos depois (já que oficialmente nunca foi assinado um armistício).
Desde o fim da União Soviética no início dos anos 1990, o isolamento político e econômico cada vez maior da Coreia do Norte tem levado o país a manifestações periódicas de ódio aos Estados Unidos e ameaças de ataques nucleares. Em nenhum outro país "comunista" o culto à personalidade de um ditador foi tão duradouro e chegou a extremos tão beligerantes como na Coreia do Norte. Embora não se encontre nas obras de Marx qualquer menção à glorificação de líderes, em todos os lugares onde o "comunismo" se impôs, quer por revolução, quer por invasão, esse expediente não apenas foi instituído como ainda se tornou a causa maior de perseguições, genocídios e extermínios.
Embora o regime norte-coreano inculque em seus cidadãos o ódio aos Estados Unidos, é contra esses mesmos cidadãos que o regime volta sua face mais violenta. No país onde pessoas são condenadas e executadas por possuírem bíblias (confira aqui e aqui), seguir uma religião não autorizada pelo Estado totalitário pode ser um passo decisivo na abreviação da própria vida. Embora o país professe o ateísmo, na prática há uma religião estatal fortemente arraigada em torno da veneração a Kim-Il-Sung.
O documentário a seguir foi produzido neste ano pela BBC e é um importante registro acerca das idiossincrasias do regime norte-coreano. O documentário mostra a Coreia como um Estado ultra-nacionalista ao estilo do Reich nazista; menciona inclusive a admiração que Kim-Jong-Il tinha por Hitler. Longe de basear-se em ideias de Marx, cujos livros são pouquíssimos conhecidos no país, o regime norte-coreano se manifesta como um autocracia militarista muito semelhante ao fascismo. Sem permissão dos guias, a equipe também registra a miséria social que o Estado esconde a sete chaves. O repórter também entrevista alguns refugiados na Coreia do Sul. Uma mulher afirma que a lavagem cerebral começa no útero e as pessoas acostumam a se curvar diante da estátua de Kim-Il-Sung todas as manhãs. Numa visita à biblioteca na capital, o repórter pergunta pelo livro 1984, de George Orwell que, como já era de se esperar, não existe no país. Para quem conhece a novela de Orwell, uma distopia que retrata a monstruosidade que se tornou o Estado soviético sob Stálin, encontrará notáveis semelhanças também aqui.
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